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Som de vitrola é motivo de alegria para arapiraquense

A antiga vitrola Voxophon, fabricada entre os anos de 1910 e 1920, está com a manivela quebrada, mas a dona de casa Maria José Lessa de Souza, que no próximo dia 12 deste mês de maio completará 90 anos de vida, ainda mantém em funcionamento o aparelho para ouvir músicas dos cantores favoritos da sua época de juventude.

Moradora da cidade de Arapiraca, a anciã conta que comprou a vitrola, há cerca de 70 anos, em um estabelecimento comercial na cidade de Penedo, conhecido como Paulo da Singer.

No formato de móvel neocolonial e movido a corda, o aparelho está bem conservado e figura em local de destaque na residência, localizada no Sítio Lagoa d’Água, na periferia da cidade.

Dona Maria Lessa gosta de ouvir músicas ao lado dos filhos e netos, que estão sempre ao lado da matriarca e compartilhando uma das maiores paixões de sua vida.

A vitrola funciona com uma agulha arranhando a superfície dos discos de acetato de cantores como Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Emilinha Borba, entre outros artistas e bandas da época.

Mãe de 11 filhos e matriarca de uma família com oito netos, Dona Maria Lessa conta que nasceu no dia 12 de maio de 1928, na comunidade de Barro Preto, na cidade de Traipu.

Foi lá que conheceu o marido, o mecânico José Ernesto de Souza, falecido há 33 anos.

Antes, porém, já havia comprado a vitrola e trouxe o aparelho com a mudança para a cidade de Arapiraca há mais de 50 anos.

“Naquela época, a gente tinha pouca diversão e ouvir música era um dos passatempos favoritos”, lembra Dona Maria Lessa, cuja história de vida fará parte do projeto Raízes de Arapiraca, um documentário audiovisual idealizado pelo deputado estadual Ricardo Nezinho, lançado no mês passado, e que mostra os depoimentos de antigos moradores da cidade.

A anciã também guarda com muito carinho os antigos discos de acetato dos cantores e bandas que fizeram sucesso entre as décadas de 1950 e 1960 no Brasil, a exemplo de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Emilinha Borba, entre outros.

Toda coleção é colocada dentro de um almanaque com capas duras do disco Moda da Mula Preta, de Luiz Gonzaga, lançado pela gravadora RCA Victor, no ano de 1948.

Por conta do manuseio diário, boa parte dos discos de acetato foi danificada e apresenta  arranhões que tornaram inaudíveis algumas músicas.

Mas existem aqueles discos que Dona Maria Lessa tem uma predileção, como é o caso da cantora Emilinha Borba.

“Gosto muito de ouvir música. Nunca me sinto sozinha, e geralmente escuto alguns discos na companhia de meus filhos e netos”, relata a antiga moradora de Arapiraca.

Davi Salsa

Fotos: Sandro Ferreira (cortesia)