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Novos policiais e bombeiros vivem dia a dia de aprendizado em cursos de formação

Mais de mil soldados aprovados em concurso público vão reforçar a cobertura de Segurança Pública em todo o Estado a partir de 2019

Ao adentrar em um ambiente militar, inegavelmente ocorre um choque de realidade. O dia a dia firmado na base da disciplina e hierarquia, além das demandas profissionais e físicas, conferem ao Curso de Formação Militar a responsabilidade de apresentar um novo mundo aos integrantes recém-chegados na corporação. Advindos do meio civil, muitas vezes esses novos militares chegam receosos com o que encontrarão na nova rotina de aprendizado.

É nesse ritmo de descobertas que alunos dos cursos de formação da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros estão construindo seu novo perfil profissional para, em breve, prestar serviços à sociedade. O Curso de Formação de Praças (CFP) da Polícia Militar está na reta final. Os futuros soldados já concluíram cerca de 70% das instruções e iniciaram os estágios supervisionados de Policiamento Ostensivo, auxiliando na Operação Natal e Operação Verão tanto na capital, quanto nas cidades do interior alagoano.

O curso tem duração prevista de 30 semanas para a formação de aproximadamente 950 policiais militares de Alagoas. A grade curricular conta com 23 disciplinas.

Entre elas estão Defesa Pessoal, Policiamento Geral Ostensivo, Armamento, Munição e Tiro e Uso Diferenciado da Força, que são matérias mais práticas, assim como as teóricas como Fundamentos Jurídicos da Atividade Policial, Filosofia dos Direitos Humanos Aplicada à Atuação Policial e Abordagem Sociopsicológica da Violência e do Crime. Além da carga horária de 1.040 horas aulas, fazem parte do projeto pedagógico 30 horas de palestras, seminários e visitas, além de 120 horas de estágio supervisionado.

Durante a formação, os alunos passam em torno de dez horas diárias no quartel, o que os leva a experimentar intensamente as rotinas e atividades militares. Segundo o aluno-soldado César Gomes, o curso está sendo altamente técnico e com instrutores qualificados, maximizando o aprendizado durante as instruções. “Eu aprendi no CFP valores que vou levar para a vida toda, como disciplina, hierarquia, companheirismo e o espírito de corpo. Aprendi a ver meus colegas de farda como uma família”, ressaltou.

Um dos diferenciais apontados pelos alunos é o fato de que as instruções são voltadas para a realidade que os policiais encontram na rua. “A formação técnica tem sido de grande relevância, já que as instruções são extremamente proveitosas, inclusive trazendo o aluno para a realidade de forma prática. Assim, todos os alunos sairão com a teoria apurada e também com a prática”, destacou Edvaldo Lima, também em formação no CFP.

Para o comandante da Escola, tenente-coronel Pedro Moura, não se pode colocar nas ruas um profissional que não consiga fazer relações entre o binômio teoria-prática e a realidade do Estado.

“Desde o começo do curso, nossos alunos são instruídos a associar a teoria transmitida em sala de aula com os dados estatísticos das ocorrências em Alagoas. É preciso ensiná-los de acordo com os problemas contemporâneos. Nosso objetivo é que eles, ao entrarem de serviço em suas respectivas unidades, saibam interpretar corretamente as demandas vindas das ocorrências”, destacou o comandante.

Escola de Heróis: onde se aprende a salvar vidas

Após 11 anos sem concurso, o Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas realizou o tão esperado certame que incluiu, em suas fileiras, cerca de 150 homens e mulheres que hoje integram o Curso de Formação de Praças (CFP) e o Curso de Formação de Oficiais (CFO).

Inicialmente, os alunos passaram por um período denominado “Incorporação” – também conhecido como “Semana Zero” – em que eles visitaram todos os quartéis da capital durante um mês e tiveram contato inicial com todas as áreas de atuação desenvolvidas pelo Corpo de Bombeiros.

Para a aluna CFP Sarah Pimentel, que é formada em arquitetura e já atuava em sua área, essa é uma nova realidade. A vida de Sarah, que até então era bem pacata, agora tem uma rotina completamente diferente com relação ao comportamento, postura e atitudes. “No momento em que passamos a vivenciar essas instruções, tudo passa a ser incrível. As dores são anestesiadas e a vibração de todos faz com que a gente vá em frente. Ver demonstrações de cada área é instigante. A gente ganha mais motivação para dar continuidade à vida de bombeiro militar”, afirmou.

O Curso de Formação de Praças 2018 tem a carga horária de 1.750 horas aula e conta com disciplinas como defesa civil, ordem unida, comunicação bombeiro militar, direitos humanos, educação física, natação, combate a incêndio, atendimento pré-hospitalar, salvamento em altura, terrestre e aquático, entre outras matérias teóricas, práticas e operacionais que estão preparando os 122 alunos remanescentes para atuar na rotina de bombeiro militar.

Para o cabo Rodolfo Marcelo, instrutor e monitor do CFP 2018, o perfil do aluno desta edição é diferente do visto em formações anteriores. “Os alunos do Curso de Formação de Praças 2018, em sua maioria, fez o concurso porque queria realmente ser bombeiro. Eles têm uma entrega, um ímpeto admirável e que faz a diferença para a profissão”, disse o cabo. Ele destaca que o aparato logístico e operacional das aulas tem proporcionado um enorme contato do aluno com equipamentos e com uma rotina bem próxima da realidade. “Eles vão passar, por exemplo, por um exercício de simulação de fogo real dentro do contêiner, o que muitos bombeiros já formados e com curso de especialização na área ainda não passaram. É uma formação de excelência”, destacou.

O CFP 2018 tem duração de cerca de oito meses e a formatura dos 122 está prevista para o mês de abril de 2019, momento em que a corporação entregará os novos soldados para salvaguardar vidas no Estado de Alagoas. Neste mês, os alunos iniciaram seus estágios em áreas operacionais da corporação.

O CFO

Diferente do Curso de Formação de Praças, o Curso de Formação de Oficiais tem duração de três anos e os bombeiros militares formados ingressam na carreira do oficialato a partir do posto de aspirante. O mesmo concurso que admitiu novos 140 alunos para o CFP BM 2018 também admitiu dez novos cadetes para o CFO.

Por meio de uma parceria entre o Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas e o da Paraíba, os dez novos cadetes foram enviados para o Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba para ingressarem no curso desde o mês de junho. A Paraíba realiza concurso público para oficial todos os anos e, desta maneira, tem uma academia e um plano de curso estruturados. Ao término do curso, o aluno que se forma, além de se tornar bombeiro militar, sai com a graduação de Engenharia. O curso abarca disciplinas da área de engenharia e da área operacional de bombeiro. Eles estudam matérias como instrução militar, cálculos, direitos penal, administrativo e constitucional, física, mecânica, anatomia e fisiologia humanas, além de todas as disciplinas da área operacional bombeiro militar, entre outras. O curso tem duração de 3.975 horas/aula.

O aluno do 1º ano Rafael Capatto confessa que desde criança sonha em ser bombeiro militar. “Sempre sonhei em me tornar bombeiro. Eu me formei em Direito, comecei a trabalhar, mas percebi que realmente não queria isso, então passei no concurso do bombeiro em Pernambuco e, quando estava cursando, fui chamado para ingressar no CFO de Alagoas. Hoje, mesmo após pouco tempo de curso, já me enxergo como bombeiro militar”, disse o aluno-oficial.

Os futuros oficiais do CBMAL já praticam estágio desde o segundo mês de formação, o que possibilita ao aluno ter um contato maior e real com o conteúdo ministrado no curso. Assim, eles conseguem se sentir mais bombeiros militares a cada dia e a cada salvamento. A união é a base da formação, pois juntos eles estão conseguindo superar as adversidades de realizar um curso em outro estado, de estar longe da família e de superar a rotina diária e muitas vezes exaustiva do curso.

Hoje, o CBMAL adota a educação por competências, com o desenvolvimento da capacidade de mobilização de saberes – conhecimentos, habilidades e atitudes – para a ação nas diferentes situações da prática profissional. Nesse sentido, para além dos conteúdos trabalhados nas disciplinas, busca-se a formação de profissionais proativos e reflexivos, que tenham autonomia intelectual suficiente para a resolução dos inúmeros problemas com os quais irão se deparar no cotidiano de trabalho.

Agência Alagoas