/Jornalistas alagoanos entram no sétimo dia de greve e entregam rosas vermelhas à população no Centro de Arapiraca como símbolo de amor à profissão

Jornalistas alagoanos entram no sétimo dia de greve e entregam rosas vermelhas à população no Centro de Arapiraca como símbolo de amor à profissão

Há um ditado que diz: as pessoas só dão aquilo que elas têm. Pois foi assim na manhã desta segunda-feira, 1º de julho, mais um dia de mobilização que chega ao sétimo, da greve dos jornalistas de Alagoas, que protestam contra a proposta indecente dos principais donos de emissoras de televisão de Alagoas, em reduzir em 40% o valor do salário da categoria, ao distribuírem no centro de Arapiraca, cerca de 400  botões de rosas vermelhas à população, que foram doados pelo @brunofloresarapiraca. Para fortalecer o estômago dos profissionais, a Lanchonete Tapioca Recheada, fez a doação de dezenas de tapiocas e outras comidas típicas.  

A entrega das rosas vermelhas simbolizou o amor que a categoria tem pela profissão, principalmente pelo respeito à população, como também a entrega de panfletos explicando os motivos da greve dos profissionais de jornalismo e de alunos estagiários que também faziam parte do movimento.

Segundo o jornalista Tony Medeiros, ao distribuírem as rosas vermelhas à população, foram informados que o povo sente a falta dos profissionais nos programas de notícias com informações do interior do estado e também nos sites.

O prefeito Rogério Teófilo, que participava do Projeto Cultura na Praça, na Praça Luiz Pereira Lima, também foi solidário à greve da categoria, afirmando que as reivindicações eram justas e que manifestava o seu apoio, como também, o radialista Alves Correia, que durante a sua apresentação especial no Projeto Cultura na Praça, coordenado pelo Mestre Afrísio Acácio,  abriu os microfones do Programa Derrubado, para que os jornalistas tivessem a oportunidade de mostrarem o seu descontentamento com a proposta de redução salarial da ordem de 40%.

Os jornalistas receberam nesta segunda-feira, um importante apoio do presidente da Ordem dos Advogados de Alagoas (OAB), seccional de Arapiraca, Hector Martins, classificando a proposta como uma demonstração de retrocesso.

Enquanto distribuíam as rosas, receberam uma importante notícia para darem continuidade ao movimento, quando o Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas emitiu parecer que defende a legalidade da greve dos jornalistas profissionais do estado.

Subscrito pelo procurador Matheus Gama, o MPT mostra posicionamento contrário à ação de abusividade do direito de greve ajuizada pela TV Ponta Verde, com pedido para manter 80% das atividades da categoria.

No parecer, o MPT defende o direito de greve dos jornalistas ao afirmar que as atividades da empresa não são consideradas como essenciais, no sentido de causar perigo iminente à população – segundo a Lei de Greve.

Desta forma, segundo o procurador, não encontra amparo legal o pedido da TV Ponta Verde para que se mantenha, no mínimo, 80% do contingente dos trabalhadores em atividade.

De acordo com o texto, haveria o risco de se esvaziar o movimento paredista e inviabilizar o exercício do próprio direito humano fundamental de greve, do qual são titulares os profissionais jornalistas.

A dificuldade financeira alegada pela empresa não a socorre, segundo o documento, haja vista o princípio da alteridade, previsto no artigo 2ºda Consolidação das Leis Trabalhistas, que não admite a transferência dos riscos do empreendimento aos trabalhadores. Logo, segundo o parecer, o ônus da atividade empresarial deve ser suportado exclusivamente pela empregadora.

“Desta forma, a greve é uma garantia constitucional do trabalhador e um direito social, devendo ser exercida em sua plenitude, sem punições ou restrições quando exercida dentro da legalidade, sendo necessário que haja coerência e boa-fé nas negociações, preservando-se sempre o princípio da dignidade da pessoa humana trabalhadora em relação aos vencimentos e respectivos aumentos remuneratórios, de forma a capacitar o trabalhador a obter seu sustento próprio, sustentar sua família, ter boas condições de saúde, educação, lazer etc.”, afirmou o procurador Matheus Gama.

O parecer foi apresentado nos autos do dissídio coletivo DC 0000152-34.2019.5.19.0000, que deverá ser julgado, em breve, em sessão do pleno do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 19ª Região.

Nesta segunda-feira (01), os profissionais fizeram um protesto na Avenida Fernandes Lima e depois seguiram em caminhada para as sedes das empresas TV Gazeta e TV Pajuçara, ambas localizadas no bairro do Farol.

Nesta segunda-feira, a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Maria José Braga (Zequinha) fez um relato da greve dos jornalistas de Alagoas na reunião mensal do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional.

O movimento dos jornalistas também contou

Redação com fotos cortesia