Segundo PF, pessoas ligadas a Cristiano Matheus também

Maceió,05 de Dezembro 2017 Operação Kali da PF. Foto: Dárcio Monteiro

Em coletiva à imprensa nesta terça-feira (9), a Polícia Federal apontou que não só o ex-prefeito Cristiano Matheus teria usufruído de recursos desviados do município de Marechal Deodoro. Além dele, pessoas próximas, amigos e parentes que atuavam como laranjas, também teriam enriquecido ilicitamente.

Um dos exemplos citados pela PF foi a compra de uma empresa de transportes com 20 ônibus na frota. “Um dos laranjas dele comprou repentinamente uma frota de em 2016, a um custo de R$ 5 milhões, e conseguiu concessão para linhas junto à Agência Reguladora de Serviços”, explica o superintendente, Bernardo Gonçalves Torres.

A empresa continua operando e tem linhas em Maceió, Paripueira e Barra de Santo Antônio. Além dele, outros laranjas também participaram de diversos esquemas, como a compra de cotas de consórcio. Seriam pessoas sem renda comprovada e que pagavam prestações mensais em torno de R$ 4 e R$ 5 mil.

“Alguns amigos ligados ao ex-prefeito costumavam enricar do dia para a noite na época em que ele era prefeito. A rede é extensa, mas a polícia está fazendo o trabalho e buscando desarticular essa organização e se possível apreender ou sequestrar o que foi desviado dos cofres públicos”, aponta o superintendente, acrescentando que os participantes do esquema têm tentado obstruir as investigações.

Segundo ele, isso estaria sendo feito principalmente com o repasse de informações inverídicas à PF. “Percebemos que há a tentativa de obstruir os trabalhos de investigação, principalmente em transações imobiliárias e de veículos em nomes de terceiros que ainda estão sendo realizadas e que os investigados vêm aqui intimados e mentem a respeito dos valores”.

Outra maneira encontrada pelo grupo é uma espécie de rodízio de propriedades entre eles. Uma sala comercial localizada em um prédio empresarial na orla da capital, por exemplo, teria sido adquirida em nome do motorista de Cristiano Matheus e depois repassada adiante por diversas vezes.

“Ele disse que sequer sabia que era dono dessa sala, que foi trocada por outra no mesmo prédio. Essa segunda a sala foi transferida para o nome de outra laranja, servidora de Marechal. Ela repassou o imóvel novamente para o motorista, que por sua vez a repassou para outro laranja, que tem mais duas salas no mesmo prédio e também figura como proprietário do apartamento em que residia o ex-prefeito”, diz o delegado.

O superintendente afirma que esse é um dos modus operandi de organizações que lavam dinheiro. “Essa confusão é intencional, para desnortear, confundir os investigadores. Isso dificulta bastante o trabalho policial e é assim que costumam operar essas organizações criminosas”.

A investigação trabalha com o desvio de R$ 6 milhões de verbas públicas federais, em especial de programas de alimentação e transporte escolar. O valor é o mesmo tratado pela PF na Astaroth, deflagrada em julho de 2017 para investigar o mesmo grupo. As autoridades trabalham, porém, com a possibilidade de outros desvios.

“Nossa atribuição é em cima dos recursos federais, mas isso não exime a oportunidade de desvios na administração municipal. Se a administração foi capaz de entrar no dinheiro de origem federal, nos remete também a atuação com verbas do municio e do estado”, explica o delegado Márcio Tenório, coordenador da operação.

Mesmo com o bloqueio de contas do prefeito pela 2ª Vara, a quadrilha continua operando, de acordo com o superintendente da PF em Alagoas. “A organização continua atuando, praticando crimes, ocultando bens, desafiando a Justiça, tentando obstruir a investigação”.

Os envolvidos no esquema podem responder pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa, desvio de recurso público (peculato) e lavagem de dinheiro. Após concluído, o inquérito deve ser enviado para o Ministério Público e a Receita Federal também já foi acionada.

“A tentativa é de retomar aos cofres públicos o que foi desviado. O próprio proprietário da empresa de ônibus disse, em depoimento, que não declarou a aquisição dos veículos à Receita Federal. Esse trabalho está sendo feito em conjunto com a Receita e ela deve se incumbir dessa evolução patrimonial”, afirma o delegado Márcio Tenório.

 Portal Gazetaweb.com

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